quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Meu lobo desencantado


Hoje eu vejo, se não fosse ele não seria nenhum outro, nenhum a transpor os castelos que monto, desmonto, melhoro e nunca termino, onde tem dragões e guardiões que não deixam ninguém entrar... Ele entrou, e foi tão real como um soco no estômago.
Ele chegou e doeu, não tanto como os príncipes que coloquei nesse mesmo castelo outrora, porém ele não era um príncipe e doeu sem me decepcionar, nem me arrasar, sem eu venerar, nem inventar e acho incrível, mas ele me doeu mesmo sem eu querer o amar. Ele doeu por não ser perfeito como nos meus sonhos, por não ser quem eu sempre quis e além de tudo isso ainda conseguir me fazer voar.
Ele que nunca foi ilusão, nunca foi idealizado e nem pensado, simplesmente chegou em um início de verão e me levou com ele, para longe do meu palácio, sem ser romântico ou simpático, veio sem amor, e também não foi amado. E seria ingenuidade minha dizer que não percebi que ele me levava quando sei bem que me deixei levar.
E hoje estou na selva com meu lobo, vivendo perigosamente e sei, com tempo determinado, mas ainda assim aqui estou, aproveitando ele que não estava nos meus planos, nem foi como eu queria, e aproveitando a selva enquanto o verão ainda não terminou.

Ao meu lado!


Hoje eu quero você,
Que me deixa medonha...
Sem vergonha...
Risonha...
Do teu lado!

Hoje eu quero você,
Na cama...
Na lama...
Na grama...
Sem drama...
Do meu lado!

Hoje eu quero você,
Sentado...
Deitado...
Pelado...
Tarado...
Só do meu lado!

Hoje eu quero você,
Não amanhã,
Nem depois,
Só hoje e do meu lado!

Hoje eu quero você,
Como um poema
Que não rima,
Não combina,
E nem termina!