Hoje eu vejo, se não fosse ele não seria nenhum outro, nenhum a transpor os castelos que monto, desmonto, melhoro e nunca termino, onde tem dragões e guardiões que não deixam ninguém entrar... Ele entrou, e foi tão real como um soco no estômago.
Ele chegou e doeu, não tanto como os príncipes que coloquei nesse mesmo castelo outrora, porém ele não era um príncipe e doeu sem me decepcionar, nem me arrasar, sem eu venerar, nem inventar e acho incrível, mas ele me doeu mesmo sem eu querer o amar. Ele doeu por não ser perfeito como nos meus sonhos, por não ser quem eu sempre quis e além de tudo isso ainda conseguir me fazer voar.
Ele que nunca foi ilusão, nunca foi idealizado e nem pensado, simplesmente chegou em um início de verão e me levou com ele, para longe do meu palácio, sem ser romântico ou simpático, veio sem amor, e também não foi amado. E seria ingenuidade minha dizer que não percebi que ele me levava quando sei bem que me deixei levar.
E hoje estou na selva com meu lobo, vivendo perigosamente e sei, com tempo determinado, mas ainda assim aqui estou, aproveitando ele que não estava nos meus planos, nem foi como eu queria, e aproveitando a selva enquanto o verão ainda não terminou.

